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Ebook gratuito: “D. Quixote”, de Miguel de Cervantes

Comemora-se hoje O Dia Mundial do Livro, uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare.

Como homenagem ao génio Cervantes, a Biblioteca do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara disponibilizou hoje, na sua Biblioteca Digital, D. Quixote de la Mancha, obra-prima da literatura mundial. A edição em ebook está disponível em dois volumes, em dois formatos (epub e pdf) e em duas versões. Uma versão apenas com texto e uma versão ilustrada, com as ilustrações de Gustave Doré incluídas na edição inglesa de 1880 de J. W. Clark.

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Ebook e livro gratuito: «Talvez uma App», de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

No âmbito do seu Programa de Educação Financeira, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) acaba de lançar o novo livro Talvez uma App, da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Tendo como tema central a inovação digital e as oportunidades profissionais que esta área oferece, esta nova publicação é dirigida, sobretudo, aos jovens do 3.º ciclo, e tem como objetivo dar também a conhecer, de forma didática, as soluções de proteção que o setor segurador disponibiliza.

O livro encontra-se disponível, gratuitamente, em formato digital, na página Educação e Cidadania, no Portal da APS (de se encontram disponíveis igualmente ouros títulos sobre cidadania). As Bibliotecas Escolares poderão obter um número limitado de exemplares em papel. Para o efeito, deverão contactar a Associação por email: comunicacao@apseguradores.pt (Gabinete de Comunicação e Relações Públicas).

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Ebook gratuito «Net Viva e Segura»

A DECOJovem disponibiliza gratuitamente o ebook Net Viva e Segura.

«O número de portugueses que usa a Internet continua a crescer de ano para ano. Hoje, três em cada quatro portugueses utilizam a Internet todos os dias, sendo que 80% dos utilizadores da internet acedem através de smartphones. Vários estudos da DECO concluem que os consumidores estão mais preocupados com a privacidade e a segurança online. Mas fica sabendo que navegar na internet e participar nas redes sociais de forma segura é mais fácil do que parece. Existem ferramentas para te proteger e nós damos-te alguns conselhos muito práticos para gerires a tua informação e partilhas nas redes sociais. Contamos-te todos os segredos para utilizares a internet com segurança, privacidade e respeito»

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O triunfo do iPad na Biblioteca

Hoje de manhã recebi uma turma de 7.º ano na Biblioteca, constituída por jovens de 12/13 anos. O objectivo era experimentarem novas formas de leitura em ambiente digital e conhecer o grau de aceitação dos novos dispositivos nos hábitos de leitura.

Os dispositivos utilizados foram o Sony Reader Touch Edition, equipado com mais de uma centena de ebooks, entre os quais muitos de literatura infanto-juvenil (das colecções «Uma Aventura», «Triângulo Jota», etc.) e o iPad, com os mesmos títulos e mais alguns de utilização específica nesta plataforma (Alice para iPad (em inglês), «A Menina do Narizinho Arrebitado» (em português) e «Os três porquinhos» (em inglês e francês)).

A sessão começou pelo e-reader. Os alunos apreciaram a facilidade de utilização, a funcionalidade touch, a qualidade do texto («parece papel») a possibilidade de sublinharem o texto e tomar notas.

Seguiu-se o iPad e o ambiente da sessão transformou-se radicalmente: os olhos brilhantes, as cabeças mais juntas, os dedos mais rápidos, perguntas em catadupa («quanto custa?», «dá para ir à net?», «podemos requisitá-lo?», «dá para escrever?», «podemos fazer aqui os trabalhos?», «onde podemos arranjar estes livros?»).

O e-reader passou a circular apenas pelos que aguardavam a sua vez no iPad. Tenho já quase uma centena de aplicações no iPad, não houve tempo para os alunos experimentarem todas, mas as preferidas foram  os livros (sim, do que gostaram mais foi dos livros, sobretudo dos interactivos), o Google Earth (ver a escola, a sua casa, a casa da avó…), as flahs cards para aprendizagem do inglês (sobretudo as que lhes permitiam gravar a sua voz) e apps musicais.

Concluindo: estou convencido de que o iPad ditará o fim dos e-readers para leitura de ebooks, já que os e-readers apenas ganham ao iPad na duração da bateria e no conforto da leitura para os olhos (apenas valorizável para os nossos hábitos de longas horas a ler, menos pertinente para os hábitos dos jovens, que dificilmente aguentam mais de 45 minutos de leitura seguida). Na biblioteca, pela experiência de hoje, o e-reader apenas será usado quando o iPad estiver ocupado ou acabar a bateria…

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Tablet Kno entre 600 e 900 dólares

Esta sim, parece ser uma solução atractiva para as escolas, embora não se saiba quando é que estará à venda por cá (e sobretudo com que conteúdos).
Mais notícias aqui:
http://t.co/r507shd
e aqui:
http://nyti.ms/crvhPA
E o vídeo oficial:

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Kno Prices Its Student Tablets at $599 and $899 to Ship By End of the Year

Kno, the high-profile Silicon Valley start-up trying to jumpstart a market for tablets focused on students, announced tonight that it will have a limited number available by the end of the year for sale at prices of $599 and $899.

The lower price is for its single-screen device, while the clamshell, double-screen version is more expensive.

While Kno would not say exactly how many it has ordered for its first tablet production run–the device is being built by China’s Foxconn–Co-founder and CEO Osman Rashid said in an interview earlier today with BoomTown that units would number “in the thousands.”

Rashid said the Kno will initially be aimed at 10 college campuses across the U.S., although he also declined to name them.

“We are going to do online and offline marketing, in a very focused approach,” he said, noting that Kno would be working with some college bookstores too.

Marketing a new and complex product like the Kno will take a lot of effort and cash, especially since it is an increasingly competitive market for mobile and portable computing products that includes Apple, Microsoft, Hewlett-Packard, Google, Amazon, Dell and many others.

Kno recently raised another $46 million in funding to add to a $10 million round, and sources said that the Santa Clara, Calif. company could be back out raising even more early next year.

Its current backers include prominent venture players like Andreessen Horowitz and First Round Capital, along with investors Mike Maples and Ron Conway.

Kno’s Rashid said company pushed the go button after getting good feedback from students in a beta test, half of whom used the single-screen device and half who used the two screens, along with its related education platform software.

“We found that 85 percent of those using the single screen wanted the dual-screen version and that those using two screens took three times more notes,” said Rashid. “Students said they love the fact that they can write in the textbook itself and it appears the way it needs to be, even in digital form.”

The first Kno will have an aluminum body, and the company will also offer a set of accessories, such as a cover and a stand.

And Kno will watch initial sales carefully. “As a start-up, we want to make sure we are meeting demand, but also that we roll it out in a careful approach,” said Rashid.

Indeed–and it will be interesting to see how that goes for the ambitious and innovative Kno.

Until the results are in, here is the official press release from Kno:

Kno Announces Pricing and Pre-Order Availability for Tablet Textbook; Pays for Itself in 3 Semesters
Delivers Significant Student Impact for Less than 1% the Cost of a 4-Year College Education

Santa Clara, CA–November 9, 2010–Kno, Inc., a powerful, groundbreaking tablet textbook designed specifically for students and the education market, today revealed the price of its 14.1 inch single and dual-screen tablets at $599 and $899, respectively. The company also announced that it is now accepting a limited number of pre-orders for an initial shipment that is expected to be on customers’ doorsteps by the end of the year.

“Kno’s extraordinary benefits represent only a tiny fraction of the overall cost of college, but its impact on the student’s career–and the energy it adds to the experience, the thrill of learning, and the ultimate grade–is dramatic,” said Osman Rashid, Co-Founder and CEO of Kno, Inc. “Even better, when you do the math, it actually pays for itself and still saves $1,300 in digital textbook costs.”

Kno has been beta-testing the product with students and the response has been overwhelmingly positive for both the single and dual screen devices. Far more than just a digital textbook, Kno is creating a powerfully effective new learning environment that will make students at all levels more successful at processing, grasping and retaining both facts and concepts.

“My experience with Kno has been really incredible. My books have become more interactive and the ability to hand-write electronic notes on the book pages themselves has changed how I retain information,” said Melissa Lin, a sophomore majoring in Biology at UC Berkeley that has been beta-testing the Kno tablet. “I see a ton of difference with the Kno. I can carry everything with me including my books, my notebooks and a browser for research. And, with the lower cost of digital textbooks, it will pay for itself in three semesters which is really great.”

Digital textbooks, which typically cost between 30 and 50 percent less than physical textbooks, will be priced separately and will be sold through the Kno bookstore, which will be accessible on every Kno device. Starting today, students will be able to browse Kno’s bookstore at http://www.kno.com/store/books, which will include tens of thousands of the most popular textbooks and supplement materials. Kno has previously announced that it is working with major textbook publishers including Cengage, McGraw Hill and Pearson. The company recently added publishers including Macmillan, Bedford, Freeman & Worth and Holtzbrinck as well as BarCharts Publishing, Kaplan, Random House and a large number of the University Presses.

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O futuro do livro – mais um episódio

Artigo de Isabel Coutinho no Público e no blogue Ciberescritas

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Está o livro morto?

Não há volta a dar: o futuro é digital. Editores e bibliotecários estão a viver num limbo, entre o passado analógico e o futuro electrónico. E como ainda ninguém resolveu o problema da preservação dos textos em formato digital, há riscos. Como será daqui a 20 anos?
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morte. A verdade é essa!”, diz com o seu apurado sentido de humor o historiador

“Já tivemos a morte do livro, a morte dos autores e, agora, a morte das bibliotecas: então eu não acredito na morte. A verdade é essa!”, diz com o seu apurado sentido de humor o historiador norte-americano Robert Darnton, director da Biblioteca da Universidade de Harvard desde 2007.

Na última edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), no Brasil, o livro e o seu futuro estiveram em destaque. Além de Robert Darnton, discutiram este assunto o historiador Peter Burke e John Makinson, o CEO do grupo editorial Penguin. “Professor Darnton, o livro tal qual o conhecemos hoje é um objecto em extinção?”, pergunta a jornalista e escritora brasileira Cristiane Costa. “Não é a primeira vez que me fazem essa pergunta…”, responde o autor de “The Case for Books: Past, Present and Future” (com tradução na editora brasileira Companhia das Letras, “A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro”).

Este historiador, especialista na história do livro, tem coleccionado estatísticas. Sabe que cada ano são publicados mais livros impressos do que no ano anterior (há uma excepção: 2009, ano desastroso em todo o lado). “Mais um milhão de novos livros serão publicados este ano em todo o mundo. É absurdo declarar que o livro está morto! Se olharmos para a história do livro e da comunicação, uma das lições a tirar é que um ‘media’ não substitui os outros”, diz. A rádio não matou os jornais, a televisão não matou a rádio, o cinema ainda continua forte apesar de termos a Internet. Claro que é importante reforçar que o futuro será digital, acredita, mas isso não significa que o livro impresso esteja morto. Acha que vamos passar por um período de transição e que teremos que inventar novas formas em que o livro digital e o livro analógico se completam. Para Robert Darnton, esse vai ser o futuro dos próximos 20 anos: “Depois disso, quem sabe?”

“A pergunta costuma ser seguida da questão: ‘Está o livro morto?’ Isso lembra-me sempre um dos meus grafitos preferidos na casa de banho dos homens na Biblioteca da Universidade de Princeton. Alguém escreveu na parede: ‘Deus está morto’, assinado Nietzsche. E alguém escreveu a seguir: ‘Nietzsche está morto’, assinado Deus. Não penso que o livro esteja morto. Foi declarado morto tantas vezes que só pode estar vivo.”

Houve outra pergunta que foi insistentemente feita ao director da Biblioteca Universitária de Harvard – que esteve envolvido durante anos na negociação com o Google sobre o projecto de digitalização do acervo da biblioteca – desde que ele chegou ao Brasil. A académica Lilia Schwarcz, que moderou um dos debates, voltou a fazê-la. “Toda a gente me pergunta se eu uso um Kindle!”, exclama o historiador que fica embaraçado porque não lê livros em máquinas. “Provavelmente devia fazê-lo, não tenho nada contra. Mas adoro papel e livros antigos. Sinto-me confortável. Gosto de andar para a frente e para trás e acho que o códex é uma das melhores invenções de todos os tempos.”

Robert Darnton não lê livros no Kindle nem no iPad, mas respeita quem os lê. Acredita que as máquinas que servem para ler livros vão melhorar e que todos vamos usá-las para certos propósitos. “Apesar de eu estar ligado ao livro impresso, só posso dizer que o futuro é digital”, afirma.

Por sua vez, o historiador Peter Burke, professor emérito da Universidade de Cambridge especialista em Idade Moderna europeia, está “semioptimista ou semipessimista” quanto ao futuro do livro impresso e digital. Não é um verdadeiro pessimista porque não acredita na morte do livro impresso nas próximas décadas, mas acha que a importância do livro em relação a outras formas de comunicar vai ficar diminuída. “Os livros que sobreviverem terão tendência a ser mais pequenos, mais fáceis de ler com o Kindle ou com outros dispositivos como o iPad. Estou preocupado com o futuro de clássicos, como ‘Guerra e Paz’, de Tolstoi. Não vejo as pessoas a pegar num Kindle para ler um livro com mil páginas…”

Lembra que as formas de leitura estão a mudar. No início do mundo moderno as pessoas podiam ler em velocidades diferentes consoante os propósitos. “A geração de crianças que hoje aprende a ler no ecrã será muito boa a ler rapidamente um texto e a saltar de um tema para outro, tal como a nossa geração fez e ainda o faz quando lê o jornal, saltando de um título de uma página para outro. A nossa geração sabe como ler lentamente. Tenho medo que as gerações futuras percam essa capacidade para ler devagar. Se isso se perder, a leitura lenta, será uma pena, pois, tal como a cozinha lenta, é muito importante para a civilização”, acrescenta Peter Burke.

Futuro empolgante

Robert Darnton está prestes a publicar um livro escrito em francês, que estará disponível “on-line” e terá sons. É uma investigação histórica sobre a forma como as canções de rua funcionavam em Paris, no século XVIII, como os jornais de hoje, e até derrubavam governos: uma explicação sobre como a comunicação oral era importante na mobilização da opinião pública. Por isso, o leitor do livro deste historiador vai poder ler o texto mas também ouvir as tais músicas. “Podemos ouvir a história, captar os sons da história de uma maneira que seria impensável antes da revolução digital. Do ponto de vista dos autores e académicos, o futuro da edição vai ser empolgante”, acredita.

O papão dos editores em relação ao digital tem sido aquilo que se viu acontecer na indústria musical por causa da pirataria, mas John Makinson, da tradicional editora britânica que ficou famosa por vender clássicos em livros de bolso que custavam o mesmo que um maço de tabaco, considera que há uma grande diferença entre o que se passou com a indústria musical (que viu as suas vendas caírem) e o que se passa na indústria livreira. Mackinson acredita que os consumidores não querem comprar álbuns inteiros, querem comprar determinadas faixas de músicas, e foi isso que Steve Jobs percebeu. Ao que se sabe, os leitores querem comprar livros inteiros e não determinado capítulo. Existe uma diferença de atitude também em relação à forma como coleccionamos música e livros. “Não é ‘cool’ ter 35 mil ‘e-books’ no nosso iPad, mas é ‘cool’ ter esse número de músicas no nosso iPod. Para já, a pirataria de livros digitais ainda não comprometeu a indústria editorial e penso que isso não vai acontecer nos próximos tempos.”

Este ex-jornalista, licenciado em História e Inglês pela Universidade de Cambridge, considera que as potencialidades digitais são um desafio para os editores. No futuro, o papel do editor vai sair reforçado de diversas formas, mas precisam de saber ouvir os consumidores para os ajudarem a aumentar a experiência de leitura. “Claro que ainda terão que se desenvolver as ferramentas”, diz, mas ao criar-se um livro para ser lido com um aplicativo no iPad pode juntar-se-lhe um vídeo ou outro qualquer elemento multimédia. “Pode fazer-se com que o consumidor pague mais dois dólares do que pagaria se o livro só tivesse texto”, explica.

Os editores vão ter que ser mais experimentais em termos de conteúdo e há a forte possibilidade de no futuro os guias de viagens e os livros de referência virem a ser vendidos segmentados ou por subscrição. É certo que a venda de livros físicos vai diminuir e que as livrarias vão ter que melhorar o seu serviço de atendimento aos leitores (só assim conseguirão manter clientes). As livrarias independentes, que tradicionalmente conhecem melhor os seus clientes, serão aquelas que estarão mais preparadas para responder à pergunta que lhes vai interessar: “Qual o livro que devemos ler a seguir?” Vamos à livraria pagar mais caro para ter um serviço personalizado tal como hoje vamos a uma loja Gourmet e pagamos mais por um queijo do que pagaríamos num qualquer supermercado, mas sabemos que aquele queijo é melhor, explica o CEO da Penguin.

Pesadelo e o que fica obsoleto

Por saber que o futuro é digital, o director da Biblioteca da Universidade de Harvard tem pesadelos. Livros impressos com 500 anos podem ser lidos ainda hoje, mas as tecnologias (os sistemas de programação de dados, de digitalização e de leitura) tornam-se obsoletas com o passar do tempo, em média duram dez anos. O acesso a toda a informação digitalizada poderá vir a ser impossível no futuro, ou, para que isso não aconteça, vamos ter que pagar a quem detém os direitos do “software” e poderemos ficar dependentes da sobrevivência das empresas que o fabricam. Veja-se o que aconteceu quando se acreditou que o microfilme era um substituto adequado para o papel e, para pouparem espaço bibliotecário, livraram-se de colecções inteiras de jornais e revistas, confiando na microfilmagem.

“O pesadelo é o desaparecimento dos livros digitais, porque a maioria dos textos que escrevemos hoje nasceram já digitais. Vivemos num mundo em que a digitalização é dominante, mas ainda ninguém resolveu o problema tecnológico da preservação dos textos em formato digital. O ‘software’ torna-se obsoleto, o ‘hardware’ fica obsoleto.”

Robert Darnton acompanhou de perto as negociações do Google para a digitalização dos acervos das bibliotecas de todo o mundo. Quando lhe perguntam se podemos sonhar com uma grande biblioteca universal num futuro próximo e quais são os riscos de ela estar nas mãos de uma empresa privada, faz um aviso prévio: admira o Google, considera que estão a inventar novas maneiras de processar informação e de a cruzar, mas vê-o também como um grande risco.

O Google já digitalizou cerca de 2 milhões de livros em domínio público, que estão disponíveis gratuitamente. “O Google recebe lucros através de publicidade, mas fá-lo discretamente. O que me preocupa é a comercialização daquilo a que eu chamaria o nosso património cultural. No caso de Harvard, temos cerca de 40 milhões de livros, é uma biblioteca gigantesca, e o Google vem ter connosco e diz: ‘Nós digitalizamos a vossa biblioteca de graça, mas, em troca, queremos vender as cópias digitais.’ Acho que isto é inaceitável, digitalizarem os nossos livros abrangidos por direitos de autor e depois cobrarem-nos para lermos esses livros em formato digital, numa base de dados, ao lado de outros livros digitalizados de outras bibliotecas excelentes.”

Robert, que passou parte considerável dos seus dois primeiros anos em Harvard a lidar com advogados e a esforçar-se por compreender as implicações do acordo com o Google, acredita que a empresa está a criar o maior monopólio que alguma vez existiu e que se trata de um monopólio de um novo tipo: de acesso à informação.

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