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Entrevista de Chris Meade, por Isabel Coutinho

Novembro 6, 2010
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“A literatura não é feita de papel”

Chris Meade, director do if:book london, está zangado consigo próprio por causa dos anos em que andou a promover a página, o papel, e não as palavras, que é o que realmente importa. Por Isabel Coutinho

Chris Meade costumava trabalhar com poetas antes de se ter dedicado ao futuro do livro. Este britânico que é o director do if:book london, uma organização britânica que explora as potencialidades criativas dos novos media para leitores e escritores e está ligada ao Institute for The Future of the Book de Nova Iorque, já foi director da Sociedade de Poesia britânica. Na palestra The amplified author and the creative reader (qualquer coisa entre o autor amplificado e o leitor criativo) que veio dar à IV Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura dedicada ao tema Ler no século XXI – Livros, Leituras e Tecnologias, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, contou que de alguma maneira continua a trabalhar com poesia.

“A Web parece-me ser a casa natural para a poesia. O local certo para se porem textos, para se fazerem apresentações ao vivo, animações ou tudo isto ao mesmo tempo”, disse em cima do palco, Chris Meade, com um tablet na mão.

Este britânico que foi também director do Booktrust, uma organização não lucrativa que promove o livro e a leitura, sabe que com a World Wide Web se podem resolver problemas fundamentais como o do acesso aos livros. Basta um computador para acedermos a livros sem precisarmos de entrar em lojas ou instituições assustadoras.

O autor amplificado

Por outro lado, agora, qualquer pessoa pode colocar o seu trabalho num blogue e apresentálo ao mundo sem precisar de passar por um editor tradicional. Chris Meade fala do “autor amplificado”. O poeta William Blake encaixar-se-ia nesse conceito. Nada parecido com um escritor sentado, sozinho, fechado ao mundo a escrever.

“Finalmente, aquilo de que falávamos quase como uma metáfora, de que ler era uma actividade criativa em que estávamos empenhados, passou a ser uma realidade. Mas os amantes dos livros não tinham a mesma opinião. Achavam que eu me tinha mudado para o lado negro e que tinha passado a odiar livros”, continua a contar.

Temos vindo a perder algumas das batalhas pela leitura. Falamos dos livros como sendo a leitura óptima para nos ajudar a adormecer ou para levar para férias… Alguém disse a Chris Meade que adorava ler porque a leitura ajudava a desligar. “Mas se ler realmente importa, a leitura tem de nos ligar!”, quase grita e dá o exemplo da sua mãe de 80 anos, que é da geração que se identifica com o livro impresso mas vê televisão, navega na Internet e gosta de ver os filmes que adaptam os seus livros preferidos.

“Somos todos mais transversais e mais multimédia do que gostamos de pensar que somos”, afirma. “A primeira vez que se lê um livro num ecrã, como o de um iPad, percebemos intensamente que o livro não é um objecto. É uma experiência, acontece na nossa cabeça e acontece no nosso coração. A literatura não é feita de papel.” Ficou zangado consigo mesmo por ter andado tantos anos a promover a página, o papel, e não as palavras, que é o que realmente importa.

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