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Vargas Llosa teme que livro digital banalize literatura

Outubro 21, 2010

Não concordo nada. Quem banaliza o conteúdo é o autor, não o meio. Como dizia De Las Heras na Gulbenkian, talvez precisemos de novos escritores.
Lembremos que os monges copistas do século XV diziam o mesmo da imprensa, que ia balizar o «sacro» livro, e que apenas poderia ser usada em obras de pouca qualidade (A primeira bíblia impressa tinha precisamente o nome de «bíblia dos pobres»…). O resultado foi o que se viu…

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Vargas Llosa teme que livro digital banalize literatura

Porto Alegre, 14 out (EFE).- O escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, teme que o impacto do livro digital possa causar uma banalização da literatura, afirmou nesta quinta-feira o próprio escritor, numa palestra em Porto Alegre.

“É uma realidade que não pode ser detida. Meu temor é que o livro eletrônico provoque uma certa banalização da literatura, como ocorreu com a televisão, que é uma maravilhosa criação tecnológica, que, com o objetivo de chegar ao maior número de pessoas, banalizou seus conteúdos”, argumentou.

Vargas Llosa participou hoje do ciclo de conferências “Fronteiras do pensamento” na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em sua palestra a professores e estudantes, o escritor admitiu que os formatos eletrônicos já são uma realidade e começam a suplantar o tradicional livro de papel, que, se não desaparecer, tende a ficar relegado a segundo plano.

A preservação da qualidade cultivada no formato de papel, destacou o escritor, está relacionada com o que diferencia a cultura da ciência.

Para Vargas Llosa, a ciência progride rompendo com o velho e obsoleto, enquanto as letras e as artes não se desenvolvem, só se renovam.

Segundo o escritor, elas não aniquilam seu passado. “Na literatura, (Miguel de) Cervantes é tão atual como (Jorge Luis) Borges. A obra artística não morre com o tempo. Segue vivendo e enriquecendo as novas gerações”.

O autor de “Travessuras da Menina Má” (2006), no entanto, disse que serão os leitores os responsáveis para que a banalização da literatura não ocorra.

“Temos de impor ao livro eletrônico a riqueza de conteúdo que teve o livro de papel. A pergunta é se realmente queremos isso”, questionou.

Apesar da advertência, Vargas Llosa declarou que não se considera “anacrônico” e ressaltou as virtudes das novas tecnologias, que tornam mais difícil o controle da informação por parte de alguns poucos.

Sobre seu livro mais recente lançado no Brasil, “Sabres e Utopias”, que traz uma recopilação de artigos escritos ao longo de sua trajetória como jornalista e escritor, o autor comentou a evolução política da América Latina.

“A maior mudança é que, quando era jovem, a América Latina era cheia de ditaduras. Hoje, temos muitas democracias. Temos um grande consenso na América Latina a favor da democracia como um marco de onde devemos viver”, opinou.

A julgamento do escritor, “há um convencimento de que a democracia é o sistema que reduz mais a violência e traz menos injustiça”.

Vargas Llosa fez mênção também ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elogiando-o por dar continuidade ao crescimento econômico do Brasil iniciado com o antecessor Fernando Henrique Cardoso.

No entanto, o escritor criticou o fato de Lula se aliar a líderes como Fidel Castro e Hugo Chávez. “Como se pode ser um líder democrata e abraçar essas pessoas? “.

No momento de responder às perguntas do público, o escritor falou sobre o resgate dos 33 mineradores que passaram 70 dias soterrados em uma mina no Chile.

“Foi um fato muito lindo e é um espetáculo de solidariedade. O mundo inteiro estava acompanhando a vida dos mineradores. Um exemplo de como a solidariedade, a colaboração, um certo idealismo e a generosidade podem produzir milagres. Por isso o mundo celebrou tanto”, assinalou.

Consagrado como escritor de ficção e ensaios e como autor de artigos políticos, Vargas Llosa, que já se candidatou à Presidência do Peru mas perdeu as eleições para Alberto Fujimori em 1990, falou sobre a necessidade de separar a literatura e a política e enfatizou que a propagação e análise de caráter político devem estar distantes dos romances.

“Quando se quer defender ideias políticas, é melhor escrever um ensaio. Quanto à ficção, esta tem que se fazer com ideias, instintos, manias e paixões do escritor. Com a personalidade íntegra voltada para a obra literária”, concluiu.

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