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Roth não gosta de ebooks

Outubro 11, 2010
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Roth descarta livros electrónicos e lança novo romance

O escritor norte-americano Philip Roth não gosta de e-books e das influências da tecnologia moderna que desviam a atenção e que, para ele, reduzem a capacidade das pessoas de apreciar a beleza e a experiência estética da leitura de livros em papel. Célebre por romances como A Mancha Humana (Dom Quixote, 2001), Roth acha que não há nada a fazer quanto a isso. No entanto, ao mesmo tempo em que transmite o que pensa das novas tecnologias, é difícil não considerar que, ao escrever livros mais curtos – coisa que tem feito desde o seu primeiro livro, Adeus, Columbus, de 1959 – o próprio Roth está à frente do seu tempo há anos.

“É uma pena. Mas é o que se está a passar, e não há nada que se possa fazer”, disse Roth, de 77 anos, debatendo a paisagem editorial em transformação na era digital durante uma das (raríssimas) entrevistas que concedeu acerca do seu novo livro, “Nemesis”, lançado nos EUA e no Reino Unido na semana passada. “A concentração, o foco, a solidão, o silêncio, tudo o que é necessário para a leitura séria, já não estão ao alcance das pessoas”.

Começando com o cinema, no século XX, e continuando com a televisão, os computadores e, mais recentemente, redes sociais como o Facebook, o leitor tem, hoje, a sua atenção completamente distraída, disse. “Hoje vivemos entre telas múltiplas, e não há como concorrer com elas”, afirmou Roth. Pela sua parte, não pretende comprar nenhum tipo de e-reader, como o Kindle da Amazon. “Não vejo utilidade nisso, para mim”, explicou. “Gosto de ler na cama, à noite, e gosto de ler livros. Não suporto mudanças”.

Em pleno debate que agita o mundo editorial sobre a possível morte iminente do romance popular mais longo e o crescimento das novelas (romances curtos), graças aos e-books, Nemesis, com 56 mil palavras, é o mais recente de um ciclo de novelas de Roth. Mas o formato económico do livro, que trata da luta interna de um jovem director de um parque de jogos no momento em que a sua comunidade sofre uma epidemia de pólio, surgiu há cerca de oito anos. “Eu estava curioso para ver se conseguiria condensar, reduzir e, mesmo assim, escrever algo de contundente”, explicou Roth, conhecido sobretudo por romances de longo formato, como o controverso O Complexo de Portnoy, de 1969 (Dom Quixote, 2010), e o premiado com o Pulitzer Pastoral Americana (Dom Quixote, reedição 2010).

Publicado pela Houghton Mifflin Harcourt, Nemesis decorre em 1944, na cidade natal do autor – Newark, Nova Jersey -, um lugar cujo declínio fascina Roth. O tema da poliomielite surgiu porque Roth, visto como mestre em captar a identidade e a angústia americanas, fez uma lista de acontecimentos americanos que testemunhou na sua vida e sobre os quais nunca havia escrito.

O livro é repleto de tradições norte-americanas aparentemente inocentes, como a de servir limonada fresca, mas a sombra da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ergue-se ameaçadora sobre a história. E o pânico que as comunidades demonstram diante da pólio lembra ao leitor que Nemesis poderia ser uma história moderna sobre o medo de doenças como a Sida, disse Roth.

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